segunda-feira, 20 de julho de 2009

Vale-cultura - Quanto vale a cultura?


Hei! O governo vai lancar agora o vale-cultura. No valor de 50 mangos para o trabalhador brasileiro se deliciar com um pouco de cultura na vida cotidiana corrida e sem graça.

Eu fico feliz com essa iniciativa do governo. Na boa. Agora poderemos ser quase-mendigos-iletrados-mas-cheios-de-cultura. Todos nós, que recebemos pouco ou quase nada, poderemos ser pseudocults na santa paz de deus. Urru.

E a melhor de todas noticias, esse vale não poderá ser descontado do salário do trabalhador. Né?

Na boa. Eu fico imaginando o Seu Zé falando pra Genara: “ Eita bem, esse mês vai dá pra troca nosso vale em pinga e carne pra faze o churrasco do Gilson”.

Eu não sei. Eu penso que os políticos deveriam criar condições melhores para o trabalhador ganhar mais dinheiro e poder gastar no que quisesse, que a pessoa que trabalha pudesse se encontrar com "cultura" por direito e vontade e não por esmola. Parece muito aquela velha historia do pão e circo, ajudando manifestações institucionalizadas de cultura e esquecendo a cultura popular.

Parece-me uma tentativa tapar o sol com a peneira por que, no lugar de investir em manifestações culturais e aumentar o poder aquisitivo do brasileiro ao mesmo tempo, cria-se um vale esmola qualquer para forçar o cidadão comum a consumir uma coisa que ele, às vezes, nem se interessa por ela. Forçar o cidadão a consumir formas elitizadas de cultura.

Acho muito mais interessante um salário mais alto e o livro, o cinema, o teatro, a música mais baratos para escolher o que consumir ou não, do que receber cinqüenta reais por mês para escolher entre alguma dessas coisas.

Talvez o problema seja, também, o que é cultura ou cultural? Funk carioca é cultura? Musica clássica é cultura? Shakespeare é cultura? Paulo coelho? Que manifestações culturais serão abrangidas pelo tal vale-cultura?

No fim de tudo fica em mim somente essa sensação “ oba, vou pegar meu vale e troca por pinga, não entendo o que aquele maluco ta dizendo nos teatro mesmo.” Mais quem se importa com isso mesmo? O governo fica bem com os teatros e com a mídia. O assalariado encontra uma forma de usar o beneficio de qualquer jeito. E tudo fica bem.
Enquanto isso, nas escolas disseminamos ignorância em serie para indivíduos do futuro e as multinacionais continuam explorando aquela matéria de carne que chamam de proletário. “Nossa, isso foi tão Marxista, ui...”

0 Comenta aí véi: