
Hei! O governo vai lancar agora o vale-cultura. No valor de 50 mangos para o trabalhador brasileiro se deliciar com um pouco de cultura na vida cotidiana corrida e sem graça.
Eu fico feliz com essa iniciativa do governo. Na boa. Agora poderemos ser quase-mendigos-iletrados-mas-cheios-de-cultura. Todos nós, que recebemos pouco ou quase nada, poderemos ser pseudocults na santa paz de deus. Urru.
E a melhor de todas noticias, esse vale não poderá ser descontado do salário do trabalhador. Né?
Na boa. Eu fico imaginando o Seu Zé falando pra Genara: “ Eita bem, esse mês vai dá pra troca nosso vale em pinga e carne pra faze o churrasco do Gilson”.
Eu não sei. Eu penso que os políticos deveriam criar condições melhores para o trabalhador ganhar mais dinheiro e poder gastar no que quisesse, que a pessoa que trabalha pudesse se encontrar com "cultura" por direito e vontade e não por esmola. Parece muito aquela velha historia do pão e circo, ajudando manifestações institucionalizadas de cultura e esquecendo a cultura popular.
Parece-me uma tentativa tapar o sol com a peneira por que, no lugar de investir em manifestações culturais e aumentar o poder aquisitivo do brasileiro ao mesmo tempo, cria-se um vale esmola qualquer para forçar o cidadão comum a consumir uma coisa que ele, às vezes, nem se interessa por ela. Forçar o cidadão a consumir formas elitizadas de cultura.
Acho muito mais interessante um salário mais alto e o livro, o cinema, o teatro, a música mais baratos para escolher o que consumir ou não, do que receber cinqüenta reais por mês para escolher entre alguma dessas coisas.
Talvez o problema seja, também, o que é cultura ou cultural? Funk carioca é cultura? Musica clássica é cultura? Shakespeare é cultura? Paulo coelho? Que manifestações culturais serão abrangidas pelo tal vale-cultura?
No fim de tudo fica em mim somente essa sensação “ oba, vou pegar meu vale e troca por pinga, não entendo o que aquele maluco ta dizendo nos teatro mesmo.” Mais quem se importa com isso mesmo? O governo fica bem com os teatros e com a mídia. O assalariado encontra uma forma de usar o beneficio de qualquer jeito. E tudo fica bem.
Enquanto isso, nas escolas disseminamos ignorância em serie para indivíduos do futuro e as multinacionais continuam explorando aquela matéria de carne que chamam de proletário. “Nossa, isso foi tão Marxista, ui...”
Eu fico feliz com essa iniciativa do governo. Na boa. Agora poderemos ser quase-mendigos-iletrados-mas-cheios-de-cultura. Todos nós, que recebemos pouco ou quase nada, poderemos ser pseudocults na santa paz de deus. Urru.
E a melhor de todas noticias, esse vale não poderá ser descontado do salário do trabalhador. Né?
Na boa. Eu fico imaginando o Seu Zé falando pra Genara: “ Eita bem, esse mês vai dá pra troca nosso vale em pinga e carne pra faze o churrasco do Gilson”.
Eu não sei. Eu penso que os políticos deveriam criar condições melhores para o trabalhador ganhar mais dinheiro e poder gastar no que quisesse, que a pessoa que trabalha pudesse se encontrar com "cultura" por direito e vontade e não por esmola. Parece muito aquela velha historia do pão e circo, ajudando manifestações institucionalizadas de cultura e esquecendo a cultura popular.
Parece-me uma tentativa tapar o sol com a peneira por que, no lugar de investir em manifestações culturais e aumentar o poder aquisitivo do brasileiro ao mesmo tempo, cria-se um vale esmola qualquer para forçar o cidadão comum a consumir uma coisa que ele, às vezes, nem se interessa por ela. Forçar o cidadão a consumir formas elitizadas de cultura.
Acho muito mais interessante um salário mais alto e o livro, o cinema, o teatro, a música mais baratos para escolher o que consumir ou não, do que receber cinqüenta reais por mês para escolher entre alguma dessas coisas.
Talvez o problema seja, também, o que é cultura ou cultural? Funk carioca é cultura? Musica clássica é cultura? Shakespeare é cultura? Paulo coelho? Que manifestações culturais serão abrangidas pelo tal vale-cultura?
No fim de tudo fica em mim somente essa sensação “ oba, vou pegar meu vale e troca por pinga, não entendo o que aquele maluco ta dizendo nos teatro mesmo.” Mais quem se importa com isso mesmo? O governo fica bem com os teatros e com a mídia. O assalariado encontra uma forma de usar o beneficio de qualquer jeito. E tudo fica bem.
Enquanto isso, nas escolas disseminamos ignorância em serie para indivíduos do futuro e as multinacionais continuam explorando aquela matéria de carne que chamam de proletário. “Nossa, isso foi tão Marxista, ui...”
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